segunda-feira, 13 de julho de 2009

Inclusão?

Quem me conhece sabe que trabalho numa Instituição de Solidariedade Social que dá apoio a cidadãos portadores de deficiência mental. Mais especificamente, dou formação na área de serigrafia e de Tecnologias da Informação e Comunicação a Jovens e adultos portadores de deficiência mental ligeira e/ou moderada e a jovens em risco de exclusão social.

Muitos de vocês vão dizer, que é muito bonito. E é, na grande maioria das vezes é gratificante e instrutivo, pois aprendem os jovens e aprendemos nós todos os dias. Mais não seja faz-nos crescer como indivíduos e torna-nos a cada dia que passa pessoas melhores.

Melhores, não só para nós próprios, mas também perante os outros e a sociedade. Aprendemos a cima de tudo que o respeito pelo indivíduo e pela sua personalidade é importante. Aprendemos que ouvir o que o outro tem para nos dizer (mesmo que não seja através da palavra) é o mais importante. Tornamos-nos cada vez mais atentos ao comportamento e às reacções de cada um. Aprendemos a "adivinhar" quando algo está mal, apenas com um ligeiro olhar. Tornamo-nos mais atentos ao que nos rodeia. Mas, ao mesmo tempo, acabamos por nos tornar mais frios e críticos perante aquelas situações que nos revoltam. Chamem-lhe defeito profissional. Eu chamo-lhe auto-defesa.

Todos os dias, luto para ensinar a estes jovens como se devem comportar não só em sociedade mas também no mercado de trabalho. Luto para torná-los aptos a exercerem uma profissão com o objectivo de os integrar e torná-los membros activos da sociedade.

Infelizmente, muitas vezes dou comigo a pensar que no estado em que as coisas estão, com a taxa de desemprego cada vez maior, com a tendência cada vez maior para a subsídio-dependência, o que vai ser o futuro destes jovens? Será que vai ser possível integrá-los algum dia no mercado de trabalho? Será que o tecido empresarial português vai alguma vez passar a ver estes jovens como membros capazes de exercer uma profissão tão bem ou até melhor que os cidadãos ditos "normais"? Será que a sociedade algum dia vai deixar de os discriminar?

Espero que sim. Talvez seja ingénua em acreditar que um dia as coisas vão mudar. Chamem-me utópica, ingénua ou outro qualquer adjectivo similar. Mas se não fosse assim para quê lutar diariamente para que a Inclusão de que tanto se fala se concretize? Só para chegar ao fim do mês e receber o ordenado?

Não me parece.

1 comentário: